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PLC 11/2026 · votação adiada · audiência pública em 18/11, às 19h

A água da sua casa começa aqui

A bacia do Rio Canoas abastece a maior parte de Franca. O projeto em discussão na Câmara define quanto dela pode virar loteamento de chácaras. O que ele não define é o que acontece com o esgoto dessas casas.

65%da água distribuída em Franca vem do Canoas, segundo a Sabesp
191 km²é o tamanho da Macrozona do Rio Canoas
~51%da Macrozona pode receber loteamentos de chácaras (estimativa pelo mapa do PLC)
1992é o ano da lei que manda tirar o esgoto da bacia, e que o projeto revoga
1 · O caminho da água

A bacia é um funil

Toda chuva que cai dentro da linha escura do mapa escorre para os mesmos córregos, que levam a água até dois pontos onde a Sabesp capta a água que vai para a cidade.

córregos e nascentes (faixas de proteção do mapa do PLC) captação da Sabesp (local aproximado) trecho depois das captações limites das 4 áreas do estudo

Áreas e captações conforme as Figuras 4.1 e 3.2.2.2.4 do estudo da UFSCar, sobrepostas ao mapa do Anexo III do PLC. A posição exata das captações não aparece nos mapas oficiais; os pontos indicam a região.

Chuva Solo e nascentes Córregos Rio Canoas Captação Sabesp Tratamento Sua torneira Esgoto da casa Outra bacia lei de 1992 Chácara com fossa: o esgoto fica no solo da própria bacia, acima da captação

A lei de 1992 protege a bacia "desde a nascente" até a captação e manda reverter o esgoto para outra bacia . O esquema é ilustrativo.

Franca fica na cabeceira

O Rio Canoas nasce no território de Franca e segue para o norte. Tudo o que acontece aqui chega ao rio antes de qualquer outra cidade.

Mapa da UFSCar: em hachurado, a área de estudo em Franca; em verde, a bacia do Rio Canoas seguindo para Cristais Paulista e Claraval

Figura 1 do Produto 1 da UFSCar: área de estudo (hachurada) e o restante da bacia (verde).

O que o estudo já encontrou

  • O Ribeirão do Lajeado/Onça deságua a poucos metros antes da captação no Canoas .
  • Existe uma segunda captação, no Pouso Alegre (Área 4) .
  • Na seca, mesmo no cenário atual, já há trechos com estresse hídrico alto .
  • Há evidências de que a bacia já passou da sua capacidade de suporte: menos vazão, erosão, assoreamento .
2 · O que já existe

A bacia já está ocupada

Antes de qualquer lei nova, já há casas, chácaras e estradas espalhadas pela bacia. E a maior concentração fica justamente na área que deságua logo antes da captação.

áreas já urbanizadas ou impermeabilizadas, inclusive estradas córregos

Ocupação atual conforme a Figura 3.3.2 do Produto 3 da UFSCar, sobreposta ao mapa do PLC.

Crescendo há quatro décadas

Gráfico da UFSCar: crescimento da área urbanizada na bacia do Canoas de 1985 a 2021 comparado à expansão prevista no Plano Diretor

Figura 3.3.1 do Produto 3 . A linha azul (Canoas) sai de cerca de 1% em 1985 para cerca de 3,5% em 2021 (leitura aproximada do gráfico). O estudo usou 15% como teto de longo prazo .

O que fazer com o que já está lá

  • A Área 2, do Lajeado/Onça, concentra o maior número de núcleos urbanizados .
  • O PLC prevê regularizar parcelamentos feitos até 31/12/2023, por lei específica .
  • Franca já teve de aprovar lei para regularizar loteamentos de chácaras clandestinos ou irregulares, em 2009 .
A pergunta que faltaQuantas dessas casas têm fossa? Em que estado? Nenhum documento do processo traz esse levantamento. O estudo pede o cadastro de todos os sistemas de esgoto da bacia .
3 · O que o projeto abre

Onde podem surgir chácaras

~51%da Macrozona fica nas áreas de Baixa Densidade (BD1, BD2 e BD3), onde o PLC admite loteamentos de chácaras de recreio.
Captação · Canoas
Captação · Pouso Alegre

Toque em cada área para mostrar ou esconder no mapa.

BD1
20,7%
BD2
22,9%
BD3
7,8%
AUS 1 e 2
4,7%
Proteção (ARO)
43,6%

Percentuais estimados pela contagem de pixels do mapa do Anexo III do PLC (sem a área urbana consolidada). Dão a dimensão; não substituem medição oficial.

O que o PLC diz

  • O uso da Macrozona continua prioritariamente rural .
  • Os "Núcleos Urbanísticos Residenciais de Recreio", os condomínios de chácaras, são admitidos nas Áreas de Ocupação Dirigida, onde estão BD1, BD2 e BD3 .
  • O estudo ambiental exigido é o Relatório Ambiental Preliminar (RAP), simplificado, no lugar do EIA/RIMA .

O que muda na prática

Hoje, pela lei de 1992, só ficam livres do EIA/RIMA (o estudo ambiental completo, aprovado pelo Estado) os loteamentos de lazer com lotes de 5.000 m² ou mais . Com o PLC, os núcleos de recreio passam a apresentar o RAP, e o lote mínimo na BD1 fica na metade desses 5.000 m². A BD1 sozinha ocupa cerca de um quinto da Macrozona.

4 · O tamanho do lote

Mais lotes, mais casas, mais esgoto

Imagine uma gleba de 10 hectares (100 mil m², uns 10 campos de futebol). Quantos lotes cabem nela?

Hoje

20

lotes de 5.000 m², o tamanho que dispensa EIA/RIMA na lei de 1992 . Dividir o lote é proibido .

BD1 no PLC

40

lotes de 2.500 m² . BD2 e BD3 mantêm 5.000 m².

AUS no PLC

200

lotes de 500 m², 10% do tamanho atual, como o próprio estudo descreve .

Conta bruta, para comparar: na prática saem ruas e os 25% de áreas verdes e de lazer que o PLC exige nos núcleos de recreio . A proporção entre as três situações não muda.

1 lote→1 casa→1 sistema de esgoto→alguém precisa conferir
5 · O esgoto

Para onde vai o esgoto das chácaras?

Essa é a pergunta que o projeto deixa sem resposta. Compare o que vale hoje, o que o estudo da própria Prefeitura recomenda e o que está escrito no PLC.

Hoje

Lei 4.240/1992 e Código do Meio Ambiente
  • Lote só pode ser vendido depois de instalada a rede de esgoto .
  • É proibido construir estação de esgoto dentro da bacia .
  • O esgoto tem que ser bombeado para outra bacia .
  • É proibido lançar esgoto sem tratamento nos córregos .

O estudo

UFSCar, contratada pela Prefeitura
  • Nas áreas de chácaras (BD), rede só perto das rodovias João Traficante e Tancredo Neves. No resto, poço e fossa séptica, "sendo necessária a fiscalização na construção e manutenção" .
  • Nas AUS, tratamento até o nível terciário .
  • Tirar da bacia o esgoto das lagoas de tratamento .
  • Cadastrar todos os sistemas de esgoto da bacia .

O projeto

PLC 11/2026
  • Revoga a lei de 1992 inteira .
  • No lugar da reversão, o esgoto dos loteamentos passa a seguir "as diretrizes da concessionária" .
  • Nas chácaras de recreio, a mesma fórmula, sem dizer qual sistema nem qual tratamento .
  • Não fala em tratamento terciário nem em cadastro e vistoria de fossas. A fossa só aparece na tabela da taxa .
áreas de chácaras (BD1, BD2, BD3): fora das rodovias, o estudo prevê fossa AUS: o estudo sugere tratamento terciário córregos que levam à captação

Repare como as manchas laranja encostam nos córregos em toda a bacia. É nesse solo que fica o esgoto tratado em fossa.

Casa Fossa séptica Sumidouro Lençol freático Nascente Córrego → captação

Esquema ilustrativo. A fossa séptica separa a parte sólida; o líquido infiltra no solo pelo sumidouro. Por isso o estudo exige fiscalização da construção e da manutenção: fossa mal feita ou sem limpeza deixa o esgoto chegar ao lençol que alimenta nascentes e córregos.

O próprio projeto reconhece a diferençaNa tabela que calcula a Taxa de Fiscalização Ambiental, fossa negra vale 5 pontos, fossa séptica e biodigestor valem 1, e a reversão para uma estação de tratamento vale 0 . Na mesma tabela, quanto pior a situação, mais pontos (resíduos sem destinação adequada valem 10). Ou seja: a solução que a lei de 1992 exige é a que o próprio projeto pontua como a de menor impacto, e é justamente a que ele deixa de exigir.
E a Sabesp?Na audiência de 05/08, o gerente da Sabesp disse que o saneamento rural será implantado até 2029 e que os moradores vão poder optar por ter ou não o sistema operado pela empresa . Se é opcional, a regra precisa estar na lei. (Transcrição automática; conferir no vídeo antes de citar.)
6 · A fiscalização

Quem vai conferir cada fossa?

Fossa só protege a água se for bem construída e limpa com frequência. O estudo diz isso com todas as letras. O projeto cria uma taxa para fiscalizar, mas não garante que o dinheiro vá para a fiscalização.

O que está previsto

  • O estudo condiciona a fossa à fiscalização da construção e da manutenção .
  • O programa de saneamento rural do estudo inclui ações de fiscalização nos sistemas de esgoto .
  • A Taxa de Fiscalização Ambiental do Canoas existe para controlar e fiscalizar impactos, inclusive do sistema sanitário .
  • O proprietário entrega um relatório que inclui o esgotamento sanitário, mas é uma declaração do próprio dono .
  • Ponto positivo: nenhum loteamento pode ser aprovado sem análise prévia da água .

O que falta

  • O dinheiro da taxa vai para pagamento por serviços ambientais, monitoramento da água e "outras destinações". Fiscalização não aparece na lista .
  • Hoje, a Prefeitura tem de fazer todo mês um Termo de Verificação das obras de cada loteamento, com cópia para a Câmara e a Sabesp . Essa regra cai junto com a lei de 1992.
  • Nenhum documento do processo traz um levantamento das fossas que já existem na bacia.
7 · O que defendemos

Esgoto resolvido antes da chácara

A vereadora Marília Martins propõe emendas para que a lei nova não abra mão do que protege a água hoje. Para a população, o pedido cabe em três frases:

1

Tratamento de verdade

Esgoto lançado na bacia tem que ser tratado até o nível terciário, que remove os nutrientes, como o estudo recomenda.

2

Fiscalização paga pela taxa

O dinheiro da Taxa de Fiscalização Ambiental vai primeiro para fiscalizar a Macrozona: fiscais, cadastro e vistoria de fossas.

3

Água monitorada às claras

Os resultados das análises da água publicados, com relatório anual para a cidade acompanhar.

Na Câmara, também defendemos que a expansão urbana nas AUS respeite as fases que o estudo propôs .

Audiência pública: quarta, 18/11, às 19h

Em 20/10, a Câmara adiou a votação do PLC 11/2026 e marcou uma audiência pública para debater as emendas apresentadas pelo mandato da vereadora Marília. Será na Câmara Municipal de Franca. Compartilhe esta página e participe.

8 · Fontes

Confira cada afirmação

Cada "fonte" desta página abre o documento original no trecho exato, destacado em amarelo. A lista completa está abaixo. Todos os documentos também estão no Acervo Rio Canoas.

Como os mapas foram feitos
  • Base: mapa do Anexo III do PLC 11/2026 (zoneamento territorial). As zonas foram separadas pelas cores da legenda oficial.
  • Córregos: faixas estreitas de proteção (APP e matas ciliares) do próprio mapa do PLC. Mostram onde correm os córregos, não o traçado exato do leito.
  • Áreas 1 a 4 e captações: Figuras 4.1 e 3.2.2.2.4 do Produto 3 da UFSCar, ajustadas ao contorno da bacia. Os pontos de captação são aproximados.
  • Ocupação existente: Figura 3.3.2 do Produto 3 (áreas urbanizadas ou impermeabilizadas, inclusive estradas).
  • Percentuais: contagem de pixels por zona no mapa do PLC. São estimativas.